Sociedade

DESINFORMAÇÃO: UM RISCO GLOBAL

Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que desinformação é principal risco global a curto prazo.

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Você acreditaria se alguém lhe dissesse que engolir semente de fruta faz nascer uma planta na sua barriga? Ou que chiclete fica no estômago por sete anos se você o engolir? E se alguém falasse que vacinas causam autismo? Ou que o aquecimento global não existe?

Receber informações como essas, bastante duvidosas, faz parte da vida cotidiana. São como mentiras que nos contam para ver se caímos na pegadinha. E o que devemos fazer? Nada melhor do que checar se tudo é mesmo verdade. Então procuramos alguém que parece saber muito sobre o assunto e questionamos, investigamos, para ter certeza se é verdade ou não.

Mas nem tudo é tão simples e inofensivo. Nos últimos anos, depois da explosão das redes sociais e do uso de celulares, o compartilhamento de informações falsas tornou-se algo muito perigoso. Tão perigoso que passou a ser discutido em diversos países do mundo.

Este ano, no Fórum Econômico Mundial que acontece em Davos, na Suíça, líderes de vários países se reuniram para discutir temas urgentes e analisar potenciais riscos para o futuro. O resultado, entre outros, foi a elaboração de um ranking que aponta 33 riscos, ou seja, preocupações sobre diferentes assuntos que são problemas globais.

 

O ranking de 2025

De acordo com a pesquisa de percepção do Fórum Econômico Mundial 2024-2025, os riscos globais foram classificados em cinco categorias: econômica, ambiental, geopolítica, social e tecnológica. O ranking é classificado por gravidade ao longo de um período, como mostram os quadros a seguir.


Fonte: Relatório de riscos globais 2025. Fórum Econômico Mundial – Pesquisa de percepção de riscos globais 2023-2025. Disponível em: https://reports.weforum.org/docs/WEF_Global_Risks_Report_2025.pdf. Acesso em: 25 fev. 2025.

 

Para um período mais curto, considerando apenas o ano de 2025, os conflitos armados são vistos como a ameaça mais preocupante, logo à frente dos eventos climáticos extremos. Também estão presentes temas como recessão econômica, desemprego, polarização social, ciberespionagem e desinformação.

Há de se observar que, se a desinformação aparece em 4º lugar como preocupação global para 2025, mantém-se como o principal risco de curto prazo pelo segundo ano consecutivo por ser considerada uma ameaça persistente a sociedade e aos governos. Segundo o relatório, o compartilhamento de informações falsas mina a confiança e agrava divisões dentro e entre nações; essa prática é alimentada por questões políticas das sociedades e pelo uso da inteligência artificial (IA).

O relatório também revela que a onda de desinformação, impulsionada por grupos presentes nas redes sociais, está causando desconfiança em relação à mídia tradicional, como jornais e noticiários. O texto aponta que o surgimento de novas tecnologias e o crescimento de plataformas que promovem interações entre os usuários têm incentivado a produção de conteúdo on-line. Nesse contexto, atores de ameaça, como são chamados os indivíduos ou grupos que exploram fraquezas em sistemas digitais, utilizam automação, algoritmos e IA para ampliar o alcance e o impacto de campanhas de desinformação.

 

Inteligência artificial

A inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que permite que máquinas, como computadores, aprendam a imitar o comportamento humano.

Elas conseguem resolver problemas, reconhecer e criar imagens, entender vozes e até jogar videogames, porque são treinadas com exemplos para identificar padrões e agir de forma parecida com os humanos.

A IA é usada em várias situações do dia a dia: assistentes virtuais que fazem o atendimento em ligações e conversas on-line, carros que dirigem sozinhos e até aplicativos que recomendam filmes ou músicas.

 

DESINFORMAÇÃO E FAKE NEWS

Fake news e desinformação andam de mãos dadas, mas são coisas diferentes. Fake news, ou notícias falsas, são um tipo de mentira, um conteúdo enganoso disseminado sem a intenção de manipular. É uma informação incorreta que se propaga entre pessoas que acreditam naquilo que foi dito ou escrito.

Desinformação tem um sentido maior, mais amplo. É a transmissão proposital e excessiva de informações mentirosas pela internet. É a transmissão de fatos, declarações, atributos falsos e distorcidos sobre pessoas, situações, processos e produtos, com a intenção clara de manipular e enganar. A desinformação não informa, causa dúvidas, provoca confusão e é desonesta.

Ainda que sejam conceitos diferentes, tanto as fake news como a desinformação podem causar danos irreversíveis às pessoas e à sociedade. Infelizmente, há milhares de histórias, inclusive violentas, relacionadas a informações falsas transmitidas de modo irresponsável.

 

O risco da inteligência artificial 

Em um ano em que diversas experiências com as ferramentas de inteligência artificial tomaram conta das redes, a preocupação com as consequências do uso dessas tecnologias também está no foco dos líderes no Fórum Mundial Econômico.

As ferramentas oferecidas por plataformas de IA podem ser usadas para propagar desinformação. Apesar de alguns conteúdos parecerem obviamente inventados, postagens geradas por inteligência artificial têm alcançado grande viralização na internet e enganado usuários. A tecnologia cria fotos, vídeos, áudios ou

textos que podem ser usados para aplicar golpes, divulgar publicidades enganosas ou desinformar sobre assuntos em destaque. Além disso, é preciso ter muito cuidado com o uso de IA, pois algumas ferramentas podem oferecer riscos ao coletar dados pessoais sem consentimento.

 


Muitas pessoas foram enganadas ao acreditarem que um filhote de urso-polar foi resgatado por um navio no Alasca
Mysticwild/TikTok

O desenvolvimento da produção de conteúdo com inteligência artificial caminhou mais rápido do que a capacidade tecnológica de identificar quando ela é utilizada para enganar pessoas. “A desinformação através da IA se tornou tão sofisticada que hoje em dia é difícil ter total certeza do que é ou não gerado por máquinas. Há iniciativas e testes que contribuem para isso, mas há casos em que não é possível comprová-las”, explica Fernando Osório, professor e pesquisador do Centro para Inteligência Artificial (C4AI) da Universidade de São Paulo (USP).

Os conteúdos gerados com IA têm a capacidade de imitar com muita similaridade (de modo muito parecido com o real) políticos, pessoas famosas, artistas e personalidades de confiança do público, sem o consentimento deles, para aplicar golpes ou causar polêmicas e disputas políticas. “Para evitar cair em posts falsos, é importante que os usuários estejam atentos a sinais e treinem para reconhecer conteúdos gerados. É uma realidade [com] que, cada vez mais, teremos que lidar na internet”, pontua Osório.

 

Imagem de criança gerada por inteligência artificial no site Freepik
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Deep fake

Dentre as diversas categorias da inteligência artificial, uma das mais populares atualmente é chamada IA Generativa; ela gera coisas novas como realmente existentes. Assim, por meio de inteligência artificial, o sistema é capaz de gerar texto, imagens, vídeos, áudios e outras mídias com base em um comando dentro de uma plataforma. Há plataformas que produzem textos, imagens, vídeos e até músicas e vozes, como se fossem reais.

Não à toa o termo deep fake pode ser traduzido como falsificação profunda. Partindo da IA generativa, esse tipo de conteúdo pode trocar rostos, clonar vozes, sincronizar o movimento labial a uma faixa de áudio diferente da original, entre outras técnicas. Os vídeos gerados podem ter caráter humorístico, político ou até mesmo preconceituoso.

Para criar esse tipo de material, o sistema de inteligência da tecnologia precisa se alimentar de arquivos verdadeiros, como fotos, vídeos e áudios da pessoa que será manipulada. Personalidades, por estarem mais expostas na internet, são muito utilizadas na deep fake. Não raro somos surpreendidos por vídeos de políticos, influencers e apresentadores de televisão como se estivessem falando algum absurdo.

Para criar esse tipo de material, o sistema de inteligência da tecnologia precisa se alimentar de arquivos verdadeiros, como fotos, vídeos e áudios da pessoa que será manipulada. Personalidades, por estarem mais expostas na internet, são muito utilizadas na deep fake. Não raro somos surpreendidos por vídeos de políticos, influencers e apresentadores de televisão como se estivessem falando algum absurdo. A intenção desse tipo de distorção é propagar a desinformação para manipular pessoas a acreditarem que determinado conteúdo é real.

 

Quer saber como você pode identificar conteúdos falsos na internet? Clique aqui e descubra!

 

Glossário

Automação: Substituição do trabalho humano por máquinas.

Algoritmo: Em relação às redes sociais, são um conjunto de dados e regrinhas estabelecidos pelas redes sociais, para determinar quais conteúdos e quais páginas devem aparecer primeiro para o público em sua conta.

 

Fontes: Estadão, Forbes, Unesco

 

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