Diego Padgurschi/Folhapress
No final do ano passado, o governo anunciou que incorporaria a proteção contra a dengue no Programa Nacional de Imunizações (PNI). A primeira vacina a ser disponibilizada dessa forma à população foi a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, aplicada em duas doses. A campanha, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), priorizou a imunização de adolescentes de 10 a 14 anos em municípios com mais de 100 mil habitantes onde a dengue é endêmica. Mas é preciso muito mais para conter a doença.
A partir de 2025, esperamos que uma nova vacina, totalmente desenvolvida pelo Instituto Butantan, seja incluída no SUS. Em estudo desde 2010, o imunizante está em fase 3 de ensaio clínico, com mais de 16 mil participantes de todas as regiões do Brasil. Em dois anos de acompanhamento, a eficácia geral foi de 79,6%. Para pessoas com e sem histórico de infecção prévia pelo vírus da dengue, a resposta imune foi de 89,2% e 73,6%, respectivamente.
Os avanços da medicina com a vacina são importantes, mas ainda hoje é necessário manter os cuidados para evitar a proliferação do Aedes aegypti. Há inúmeras campanhas de conscientização da população e programas de combate ao vetor, com o uso de inseticidas e larvicidas.
UM VÍRUS COM VÁRIAS FORMAS
A dengue é causada por um vírus que tem quatro subtipos diferentes: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4. Isso quer dizer que uma pessoa pode pegar dengue até quatro vezes, uma para cada subtipo. Após se curar de um subtipo, ela fica imune a ele, mas ainda pode pegar dengue se for infectada por outro.
A doença se espalha de maneiras diferentes ao longo do tempo, com um subtipo predominante em uma temporada. Quando muitas pessoas já estão imunes a esse subtipo do vírus, os casos diminuem, até que outro tipo comece a se espalhar, reiniciando o ciclo.
Fontes: Agência Brasil, Ministério da Saúde, Fiocruz e Instituto Butantan
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