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No dia 20 de novembro, o diretor executivo da rede de mercados francesa Carrefour, Alexandre Bompard, anunciou que pararia de comprar carnes vindas de países como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Essa fala foi uma resposta aos agricultores franceses que estavam organizando protestos contra o Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul (grupo do qual os países citados fazem parte), pois afirmavam que esse acordo dificultaria a venda de produtos franceses no país.
O acordo estava sendo discutido em novembro e foi firmado no dia 6 de dezembro. Apesar de ser concluído recentemente, esse acordo existe desde 1999. A razão para a demora de 25 anos nas negociações entre os blocos foi justamente a resistência, principalmente da França. A Ministra da Agricultura francesa, por exemplo, é contrária ao acordo, pois acredita que a entrada de produtos estrangeiros pode não seguir as regras do país, oferecendo risco à segurança sanitária e ao meio ambiente francês.
Segundo o CEO do Carrefour, a insatisfação dos manifestantes contribuiu para interromper a compra de carnes. Seu posicionamento em favor da economia do país é compreensível, mas sua declaração gerou um problema porque ele colocou em dúvida a qualidade da carne produzida no Brasil: “Em toda a França, ouvimos o desespero e a indignação dos agricultores diante do projeto de acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul e o risco de inundação do mercado francês com carne que não atende às suas exigências e normas”.
Em resposta, produtores brasileiros se uniram para organizar um boicote ao Carrefour, parando de fornecer carne para a rede de mercados, e exigiram uma retratação de Alexandre Bompard.
Diante da situação, no dia 26 de novembro, o executivo do Carrefour se retratou. Ele encaminhou uma carta ao Ministério de Agricultura e Pecuária do Brasil, dizendo que “a agricultura brasileira fornece carne de alta qualidade, respeitando as normas e o sabor”. Com essa retratação, o boicote foi encerrado e os produtores voltaram a fornecer carnes.
Impactos da declaração
Essa situação impactou na discussão sobre o acordo, que já estava prestes a ser assinado. A comissão europeia finalizou o tratado em duas partes: a primeira focada na cooperação internacional, com caráter político e ambiental; a segunda focada apenas no comercial. A aprovação de quinze países-membros que, juntos, representem 65% da população do bloco, já foi suficiente para a conclusão.
Esse acordo é interessante para o restante dos países da União Europeia porque o continente vive um momento tenso com a alta de impostos na China e nos Estados Unidos, seus principais parceiros comerciais. Soma-se a isso o fato de que a economia europeia está parada, com baixa previsão de crescimento. Para solucionar esse problema, estudiosos apontam que a Europa precisa estabelecer novos acordos comerciais, que garantam o acesso a recursos como o minério, que existe em abundância no Mercosul.
Glossário
CEO: Sigla para a expressão em inglês Chief Executive Officer, pessoa do mais alto escalão executivo de uma empresa.
Boicote: Recusar, como forma de protesto, qualquer colaboração ou relação comercial.
Fonte: Folha de S.Paulo.
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