Pelourinho, um dos destinos do Afroturismo em Salvador, Bahia.
Nigel S.B. Photography/Unsplash
Com cerca de 80% da população autodeclarada negra, Salvador é a capital com maior quantidade de afrodescendentes fora do continente africano. É aqui que as heranças africanas na cultura, arte e gastronomia se reúnem em um mesmo espaço.
O título de Capital Negra da América Latina, conquistado em 2011 no 21º Encontro Ibero-Americano de Afrodescendentes, reflete essa herança e consolida o reconhecimento internacional de Salvador como patrimônio mundial afrodiaspórico.
Havia, porém, uma contradição naquele momento: se, por um lado, esse reconhecimento valoriza, em escala global, os bens culturais, históricos e simbólicos ligados aos povos africanos e seus descendentes, por outro, a população negra ainda não ocupava posição de protagonismo na principal atividade econômica da cidade — o turismo.
Diante deste cenário crescente, a Prefeitura de Salvador lançou em 2022 uma iniciativa estratégica, o movimento Salvador Capital Afro (SCA), visando posicionar a cidade como o maior destino de afroturismo do mundo.
Em entrevista para o El País, Isabel Aquino, ex-funcionária da Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador e uma das responsáveis pelo início do projeto, afirmou “Eles não são os donos dos restaurantes, dos hotéis, das agências nem operadores turísticos. Seus produtos e serviços quase sempre são intermediados por um trader turístico que é majoritariamente branco e conservador”.
Foi a partir deste ponto que o movimento decolou. Hoje o Salvador Capital Afro não apenas posiciona a capital como destino de destaque no afroturismo, mas cuida para que a população negra seja agente dessa transformação, ocupando espaços de cultura, gestão e empreendimento para fomentar o turismo afrocentrado.
AFROTURISMO E TURISMO AFROCENTRADO
Todo turismo afrocentrado é afroturismo, mas nem todo afroturismo é afrocentrado. A diferença está no foco e na forma como a experiência é construída:
Afroturismo: É o turismo que valoriza a cultura, a história e os territórios afrodescendentes. Inclui visitas a lugares, festas, gastronomia e manifestações culturais negras. Pode ser organizado por diferentes agentes, mas nem sempre pessoas negras e nem sempre tem protagonismo da comunidade local.
Turismo afrocentrado: Vai além da valorização cultural, pois coloca a perspectiva negra no centro. As narrativas, a curadoria e a gestão são feitas por pessoas e comunidades afrodescendentes. Há foco em protagonismo, autonomia econômica, identidade e combate a estereótipos.
Fontes: El Pais, Portal Salvador Capital Afro, Portal oficial de turismo de Salvador.
Saiba mais: https://www.salvadordabahia.com/
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