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No Brasil, 213 municípios têm apenas um candidato concorrendo ao cargo de prefeito em 2024. A vitória é garantida mesmo que apenas o próprio candidato vote em si mesmo. Por mais estranho que pareça, o número de municípios com candidatos únicos vem crescendo e praticamente dobrou desde as eleições de 2020. Especialistas acreditam que um dos fatores que podem desestimular a concorrência nas eleições para prefeitos nesses municípios é o fato de que aqueles que estão no cargo têm muito apoio local e boas avaliações para continuar.
Segundo Eduardo Grin, cientista político, “candidatos de oposição muitas vezes não veem vantagem em enfrentar um prefeito popular, com boas chances de vitória. Além disso, […] em cidades menores, como é o caso dessas 213, muitas vezes não há uma sociedade política organizada, com ONGs, sindicatos, imprensa ou universidades que possam reproduzir ou criar um polo político diferente daquele que domina na cidade”.
O problema da falta de concorrência
Eduardo Grin destaca que a falta de oposição pode ser preocupante para as eleições, pois a presença de opções políticas é muito importante para a democracia. “Isso permite que os cidadãos ponderem sobre os candidatos e, se necessário, punam o prefeito por uma má gestão. Uma candidatura única elimina essa possibilidade”.
As consequências dessa situação incluem o enfraquecimento do debate político, a exclusão de visões políticas diferentes e a redução da transparência na administração pública, já que apenas um grupo político mantém o controle.
De acordo com o cientista político, “eleições mais competitivas, com pelo menos duas candidaturas, permitiriam maior controle da população, forçando os candidatos a apresentar propostas mais viáveis e a evitar promessas que não podem cumprir, garantindo assim que a população tenha a oportunidade.
Fonte: BBC Brasil
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