Mundo

Europa contra o turismo de massa

Moradores pedem medidas concretas por um turismo mais equilibrado e que valorize quem vive nas cidades.

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Barcelona, Espanha, agosto de 2024. No cartaz, lê-se “Turismo(turistas), vá(vão) pra casa”
Michiko Chiba/Shutterstock

 

Na Europa, moradores e ativistas vêm organizando protestos contra o que chamam de “turismo de massa”. Eles reclamam que a quantidade intensa de visitantes tem provocado efeitos profundos e negativos nas suas comunidades.

Desde o fim da pandemia, o fluxo de turistas voltou com força. Em abril de 2025, Barcelona recebeu 8,6 milhões de turistas, 10% a mais do que no mesmo mês do ano anterior, e em 2024 teve cerca de 26 milhões ao longo do ano, em uma cidade de apenas 1,6 milhão de habitantes.

Esse aumento tem pressionado o mercado imobiliário: imóveis antes destinados à moradia foram transformados em apartamentos para aluguel de curta temporada, como os do Airbnb, o que dispara os preços e reduz a oferta para os moradores locais.

Em 15 de junho de 2025, movimentos como a rede “Sul da Europa Contra a Turistificação” (SET Network) organizaram manifestações simultâneas em cidades da Espanha, da Itália e de Portugal, reunindo centenas ou até milhares de participantes.

Entre as principais queixas dos moradores estão o aumento drástico dos valores de aluguel e compra de imóveis, a substituição de comércios tradicionais por lojas voltadas ao turista, a sobrecarga de infraestrutura pública e degradação ambiental, e a perda da identidade cultural local.

Algumas cidades já tomaram medidas concretas. Barcelona planeja eliminar todos os apartamentos para turismo de curta temporada até 2028, devolvendo cerca de 10 mil unidades ao mercado residencial. Além disso, foram propostas restrições a cruzeiros e uma reformulação do modelo turístico para priorizar a sustentabilidade e a qualidade de vida.

Embora os protestos se concentrem no modelo econômico do turismo, alguns analistas reconhecem o surgimento de sinais de xenofobia, principalmente contra o turismo de baixa renda, o que gera preocupação sobre possíveis distorções dos protestos.

O fenômeno do “sobreturismo”, quando o número de visitantes começa a afetar negativamente o dia a dia dos moradores e a experiência dos próprios turistas, vem sendo estudado pela Organização Mundial do Turismo desde 2017.

Em resumo, esses protestos refletem uma demanda por um turismo mais equilibrado, que valorize também quem vive nas cidades. Enquanto o setor turístico é importante para a economia, os moradores pedem controles para garantir moradia acessível, proteção ambiental, preservação cultural e qualidade de vida.

O desafio agora é criar uma forma de turismo que conviva em harmonia com as comunidades locais, sem expulsar os residentes de suas próprias cidades.

Xenofobia

A xenofobia, que significa medo ou rejeição ao que é estrangeiro, se manifesta como um sentimento de que os “estranhos” são uma ameaça aos recursos, à identidade cultural e à economia nacional. Esse receio se intensifica em contextos em que os jovens estão mais vulneráveis, enfrentando desemprego, falta de perspectiva e moradia cara. A violência simbólica contra imigrantes muitas vezes substitui a compreensão das questões estruturais, como especulação imobiliária, gentrificação e crises econômicas globalizadas.

Curiosamente, alguns dos países que demonstram hostilidade crescente contra os estrangeiros são economicamente dependentes da imigração. A Alemanha, por exemplo, precisa de trabalhadores de fora para sustentar sua força de trabalho em setores essenciais. No entanto, essa dependência econômica contrasta fortemente com os discursos nacionalistas.

 

Glossário

Especulação imobiliária: Quando pessoas ou empresas compram terrenos, casas ou apartamentos não para morar ou usar, mas para esperar que valorizem e depois vender por um preço bem
mais alto, lucrando com isso.

Gentrificação: Quando um bairro começa a receber investimentos e melhorias, ficando mais valorizado e atraindo pessoas com mais dinheiro. O problema é que, com essa valorização, os moradores mais antigos, geralmente de baixa renda, não conseguem mais pagar para viver ali.

 

Fontes: G1, InfoMoney, Euronews e Travel.

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