Imigrantes nas ruas de Pacaraima (RR), município que faz fronteira com a Venezuela
João Laet/ Fotoarena
Nos últimos anos, o Brasil tem se tornado um dos destinos de muitas pessoas que fogem de crises, perseguições, violência e dificuldades em seus países de origem. Só em 2024, o país recebeu mais de 68 mil pedidos de refúgio, o que representa um crescimento de 16,3% em relação ao ano anterior. Isso mostra que cada vez mais pessoas estão buscando no Brasil uma oportunidade de viver em paz, com segurança e dignidade.
Os principais grupos de pessoas que pedem refúgio vêm de países que enfrentam situações muito difíceis. A Venezuela lidera essa lista, com cerca de 27 mil solicitações, já que o país vive uma crise humanitária, com falta de comida, medicamentos e oportunidades de trabalho, além de problemas políticos graves. Em segundo lugar está Cuba, com mais de 22 mil pedidos, um número que praticamente dobrou em comparação com o ano anterior, mostrando que a crise econômica cubana também tem levado muitas pessoas a deixarem o país. Além desses, também há refugiados vindos de países como Angola, Vietnã, Colômbia, Nepal, Índia, China, Marrocos e Guiana, mostrando que pessoas de mais de 150 países procuram abrigo no Brasil.
Grande parte dessas pessoas chega ao país pela Região Norte, especialmente pelo estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela. Sozinho, Roraima concentra cerca de 72% dos pedidos de refúgio no Brasil, seguido pelos estados do Amazonas e do Acre, que também recebem muitos migrantes. Nessas regiões, funciona a Operação Acolhida, um programa do governo brasileiro.
Mas nem todo mundo que faz o pedido recebe oficialmente o status de refugiado. Em 2023, por exemplo, cerca de 77 mil pessoas foram reconhecidas como refugiadas, o que elevou o total para mais de 143 mil refugiados vivendo legalmente no Brasil. A taxa de aprovação é de aproximadamente 55%, o que significa que mais da metade dos pedidos foram aceitos. Outro dado muito importante é que cerca de 44% das pessoas que foram reconhecidas como refugiadas em 2023 são menores de 18 anos, ou seja, quase metade são crianças e adolescentes. Isso mostra que muitas famílias estão fugindo juntas ou que jovens sozinhos estão buscando uma vida mais segura, longe de guerras, fome, violência e perseguições.
Desde 1997, o Brasil tem uma lei específica para refugiados, baseada em acordos internacionais, que garante que quem sofre perseguição em seu país por causa de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais tem o direito de pedir refúgio aqui.
Apesar dos desafios, receber refugiados é uma oportunidade de enriquecer a cultura do país e ajudar pessoas que querem viver, trabalhar, estudar e colaborar com a sociedade brasileira. É também uma forma de praticar a solidariedade e os direitos humanos, valores importantes para qualquer nação democrática e justa.
Fonte: Estadão.
Operação Acolhida
A Operação Acolhida é uma ação criada pelo governo brasileiro em 2018 para ajudar os imigrantes e refugiados que chegam ao Brasil. Quando as pessoas chegam, elas são recebidas pela operação, que organiza todo o processo de atendimento.
A Acolhida funciona em três etapas muito importantes. A primeira é a recepção, em que os refugiados são acolhidos na fronteira e recebem ajuda com documentos, vacinas, alimentação, abrigo temporário, atendimento médico e orientações sobre os próximos passos. Depois vem a etapa do abrigo, em que eles são levados para espaços seguros.
E, por fim, existe a etapa da interiorização, que é quando essas pessoas são levadas, de forma organizada, para outras cidades e estados do Brasil, onde podem encontrar mais oportunidades de trabalho, moradia e recomeçar suas vidas com dignidade.
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