As ruínas de Gaza, em 23 de janeiro de 2025
Anas-Mohammed/Shutterstock
A Faixa de Gaza é um pequeno pedaço de terra que fica no Oriente Médio, bem na beira do Mar Mediterrâneo. Ela é tão pequena que tem apenas cerca de 40 quilômetros de comprimento e de 6 a 12 quilômetros de largura. Mesmo assim, mais de 2,3 milhões de pessoas vivem lá, sendo uma das regiões mais cheias de gente do mundo. A maior parte da população é bem jovem, com quase metade das pessoas tendo menos de 15 anos, e a idade média dos moradores é de apenas 18 anos.
Muitas famílias vivem com dificuldade, enfrentando falta de água limpa, de comida, de energia elétrica e até de remédios. Aproximadamente 80% das pessoas que moram lá dependem de ajuda humanitária para sobreviver.
História
A história da Faixa de Gaza é muito antiga. A cidade existe há mais de 2.400 anos, e o território passou por muitos domínios diferentes, como o dos egípcios, romanos, árabes e turcos. No século passado, depois da Primeira Guerra Mundial, a região ficou sob o controle dos britânicos.
Em 1948, quando foi criado o Estado de Israel, a Faixa de Gaza ficou sob administração do Egito. Isso aconteceu depois de uma guerra entre Israel e vários países árabes que não aceitaram a divisão da Palestina. Mais tarde, em 1967, durante a chamada Guerra dos Seis Dias, Israel tomou o controle da Faixa de Gaza, junto com outros territórios.
Em 2005, Israel retirou seus soldados e moradores que viviam em assentamentos dentro da Faixa de Gaza, mas continuou controlando quem entra e quem sai do território, além do espaço aéreo e marítimo.
No ano de 2007, o grupo Hamas assumiu o controle da região. Desde então, Israel e o Egito impuseram bloqueios, alegando que isso seria uma forma de segurança, para evitar que armas e materiais perigosos chegassem até lá. Esses bloqueios tornaram a vida da população ainda mais difícil, limitando a entrada de alimentos, remédios, água e outros recursos básicos.
A Faixa de Gaza volta frequentemente aos noticiários por causa dos conflitos que acontecem lá. O Hamas já realizou vários ataques com foguetes contra Israel. Em resposta, Israel costuma realizar bombardeios e ataques aéreos na Faixa de Gaza.
Um dos momentos mais graves desse conflito aconteceu no dia 7 de outubro de 2023, quando o Hamas realizou um grande ataque contra Israel, causando muitas mortes. Depois disso, Israel respondeu com uma série de ataques ainda mais intensos e impôs um bloqueio total na Faixa de Gaza, impedindo a entrada de alimentos, água, combustível e eletricidade. Esse bloqueio e os bombardeios fizeram com que a situação humanitária na região ficasse ainda mais grave, com milhares de mortos, muitas famílias desabrigadas e grande destruição.
Esse conflito acontece porque a Faixa de Gaza faz parte dos territórios que os palestinos querem para formar seu próprio país, junto com a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Já Israel se preocupa com sua segurança, porque teme os ataques que partem de Gaza.
Essa disputa envolve não só questões de território, mas também diferenças políticas, culturais e religiosas que existem há muito tempo. Quem mais sofre com tudo isso são as pessoas que vivem na região, especialmente crianças e adolescentes, que muitas vezes crescem em meio à pobreza, aos sons de bombardeios e à destruição.
HAMAS
O Hamas, grupo palestino considerado terrorista por já ter atacado pessoas comuns de propósito, atua tanto como partido político quanto como organização militar. Ele foi criado em 1987, durante um período chamado de Primeira Intifada, que foi um grande levante dos palestinos contra a ocupação de Israel.
O nome “Hamas” é uma sigla em árabe para “Movimento de Resistência Islâmica”. O grupo defende a criação de um Estado Palestino e mistura ideias religiosas com ideias políticas, além de acreditar que a luta armada é uma maneira de defender os palestinos e enfrentar Israel.
O Hamas também faz trabalho social na Faixa de Gaza, oferecendo serviços como escolas, hospitais, doações de alimentos e apoio para famílias pobres. Por isso, uma parte da população local apoia o grupo.
Wikimedia Commons
Crise humanitária agravada
Desde março de 2025, um bloqueio total imposto por Israel tem impedido a entrada de alimentos, água, combustível, remédios e outros itens básicos para a sobrevivência da população.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), toda a população de Gaza está em risco de fome extrema, o que significa que famílias passam dias sem conseguir se alimentar, muitas crianças sofrem com desnutrição severa e já há registros de mortes causadas pela fome. A situação chegou a um ponto tão grave que a ONU declarou que Gaza é, neste momento, o lugar mais faminto do mundo.
Dados revelam que quase 500 mil pessoas, cerca de 22% dos habitantes da região, estão à beira de morrer de fome até setembro, caso nada seja feito para mudar essa realidade.
Os hospitais da região também estão entrando em colapso. Atualmente, apenas 17 dos 36 ainda estão funcionando, mas de forma precária.
Organizações humanitárias, como Médicos Sem Fronteiras (MSF), denunciam que essa crise não foi causada por um desastre natural, mas sim por ações humanas, fruto direto dos bloqueios e dos bombardeios constantes.
Em um dos episódios mais chocantes dessa crise, ao menos 59 pessoas morreram enquanto aguardavam em uma fila de distribuição de alimentos.
Diante dessa situação, a pressão internacional sobre Israel aumentou.
A União Europeia chegou a acusá-lo oficialmente de estar utilizando a fome como arma de guerra, algo considerado uma violação grave dos direitos humanos e do direito internacional.
Após muitas críticas e pedidos de organizações internacionais, Israel permitiu, no fim de maio, a entrada de cerca de noventa a cem caminhões com alimentos, água e remédios levados pela ONU. No entanto, essa quantidade ainda é muito pequena.
Antes do bloqueio, Gaza recebia, em média, quinhentos caminhões por dia para suprir suas necessidades básicas. Isso significa que a ajuda atual não é nem um quinto do que seria necessário para atender minimamente toda a população.
Enquanto isso, as pessoas em Gaza continuam lutando para sobreviver em meio a uma crise sem precedentes. Crianças, adolescentes e adultos vivem diariamente em busca de água, comida e abrigo. O mundo assiste, com grande preocupação, ao colapso humanitário de uma região que já vinha sofrendo há anos e que agora chega a um ponto crítico, colocando em risco a vida de milhões de pessoas inocentes.
Fontes: G1, CNN Brasil e Terra
COMENTÁRIOS