Apesar de muito utilizada, ainda há desconfiança sobre as informações obtidas por IA
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A inteligência artificial está nos jogos que você adora, nas músicas que escuta e até por trás dos vídeos que você vê. Mesmo sem perceber, muitas das suas escolhas são influenciadas pela IA. Em 2024, o Google realizou uma pesquisa com 21 mil pessoas, em 21 países, e mostrou que 87% dos entrevistados brasileiros usam ferramentas de IA para solucionar problemas do cotidiano. Além disso, o país ficou acima da média sobre o uso da IA. Enquanto a média global de uso ficou em 48%, no Brasil foi de 54%.
Quer ver alguns exemplos? Você já jogou Roblox ou Minecraft? Assistiu a filmes na Netflix ou vídeos no YouTube? Pois é, esses são exemplos da IA no seu dia a dia. Mas, afinal, o que é a inteligência artificial? De maneira simples, ela foi criada para que máquinas consigam pensar, aprender e tomar decisões, quase como a gente.
“Basicamente, IA é fazer com que os computadores pensem como os seres humanos ou que sejam tão inteligentes quanto o homem”, explica Marcelo Módolo, professor de Sistemas de Informação da Universidade Metodista de São Paulo. “O objetivo final das pesquisas sobre esse tema é conseguir desenvolver uma máquina que possa simular algumas habilidades humanas e que os substitua em algumas atividades. É preciso lembrar que, como os sistemas inteligentes simulam o ser humano, eles erram como nós”, explica Módolo.
Isso pode ser incrível e assustador ao mesmo tempo. O que a gente sabe com certeza é que a inteligência artificial é uma tecnologia aprimorada a cada dia e, por isso, ganha mais espaço em diversos campos da nossa vida.
Fontes: Veja, Agência Brasil e Nova Escola.
Ser humano no controle
A inteligência artificial está cada vez mais presente na nossa vida – ela responde perguntas, mostra informações e até escreve textos. Mas será que todo mundo confia no que ela diz?
Apesar do uso crescente da inteligência artificial, o ser humano sai na frente quando o assunto é confiança. Uma pesquisa recente feita pelo Instituto Reuters, com 97 mil pessoas de 48 países, incluindo o Brasil, buscou entender como elas usam a IA como fonte de informação. O relatório apresentou, além desse crescimento no uso de IA, uma resistência do usuário em confiar totalmente nessa tecnologia.
Conclusão: as pessoas ainda preferem que um ser humano esteja no centro da geração dessa informação.
Fontes: UOL, G1 e SPC Brasil.
Não deixe a ia decidir por você
As redes sociais mais conhecidas, como Instagram e TikTok, têm ferramentas
poderosas para mapear nossos gostos e preferências
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E agora, o que a gente faz com tantas possibilidades oferecidas pela inteligência artificial? O primeiro passo é ficar mais atento quando estiver navegando na internet. A IA está em toda parte – nos jogos, nas redes sociais, nos vídeos e nas buscas do Google.
Cada clique dado é um rastro que você deixa na internet. Esse rastro chamamos de algoritmo. Ele é responsável por entender do que você gosta e apresentar informações de acordo com as suas preferências. Você já tinha percebido isso?
Por exemplo, você usa um buscador, como o Google, para uma pesquisa da escola. Tudo o que você faz, ou seja, o seu caminho, é lido, armazenado e transformado em novos conteúdos. O algoritmo entende o que você quer e a inteligência artificial transforma esses dados em realidade. A partir daí, sugere conteúdos e opções de compras e de sites que falem sobre essas suas preferências.
Por um lado, isso é ótimo. Você encontra rapidamente o que procura e descobre coisas novas sobre o tema. Mas o outro lado merece atenção. Esse movimento o coloca em uma bolha informacional. É como se você estivesse em um mundo onde só aparecem coisas que combinam com você ou da forma como você gosta ou pensa.
Um dos grandes problemas da bolha informacional é que você deixa de ver ideias diferentes e opiniões contrárias. E esse é um dos caminhos mais curtos para a desinformação. Quando conhecemos apenas um lado do assunto, não temos uma visão ampla e nosso ponto de vista acaba ficando restrito a um só lado. Essa desinformação é ampliada nas redes sociais, em que os algoritmos e a IA estão a todo o vapor.
“Em qualquer interação que uma pessoa fizer na rede social, os algoritmos vão aprender sobre o seu padrão de comportamento”, diz Paola Accioly, professora de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Nas redes sociais, explica a professora, são utilizados algoritmos de inteligência artificial, que aprendem, por exemplo, sobre o que o usuário gosta de ver para recomendar conteúdos parecidos. O objetivo é manter a pessoa fidelizada à plataforma.
Glossário
Bolha informacional: É quando a pessoa só recebe informações e notícias que reforçam o que ela já pensa. Outros fatos e opiniões diferentes são filtrados e não chegam até ela.
Plataforma: No mundo digital, é um site, aplicativo ou sistema no qual as pessoas podem interagir, criar, compartilhar e consumir conteúdo.
Fonte: O Estado de S.Paulo.
Algoritmo
É um conjunto de regras ou instruções que são seguidas passo a passo para resolver um problema ou realizar uma tarefa. Ele funciona como uma receita: com os ingredientes (os dados) e o modo de preparo corretos (as regras), chega-se ao resultado esperado. Os algoritmos usados pelas redes sociais, por exemplo, decidem o que aparece com base no que você curte, comenta ou assiste.
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